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Viva a cultura na gastronomia!

por Antonio Sousa

Nem nos atrevemos a sugerir ( mas quem sabe?..) um concurso gastronómico com base nos clássicos da nossa literatura pois seria um desafio aos que pugnam pela dieta, pelo Vegan etc..

Mas e que delicia em Vila Nova de Famalicão, o último grande romance de Camilo Castelo Branco esteve na origem de uma ementa especial num moderno espaço de restauração, onde se pratica uma cozinha de autor.

O município desta cidade minhota, que pretende requalificar e dinamizar na Rota Camiliana, na linha de um Turismo Cultural que nos da enorme prazer um percurso delineado em torno da memória do escritor, que viveu um terço da vida em S. Miguel de Seide.

Visitar a casa de Camilo Castelo Branco, o Centro de Estudos Camilianos, desenhado por Siza Vieira, e outros locais relacionados com a presença do escritor, estará acompanhado por menu, recheado das iguarias que deliciaram os personagens de um dos famosos romances de Camilo Castelo Branco A Brasileira de Prazins e que serve de inspiração ao chef Renato Cunha do restaurante Ferrugem, que aceitou o repto do município famalicense e criou uma ementa camiliana.

Pão, pataniscas e presunto de porco bísaro preenchem o prelúdio com um Vinha da Bouça, um alvarinho de Ronfe, Guimarães, em vez do verdasco «em que o tanso do abade cascava rijo», tal como referido por Camilo, apreciador de pitéus hoje recriados graças a modernas técnicas de culinária.

Lembremos as “Sardinhas de escabeche? Se gosto!… Vamos a elas, que estão a dizer: comei-me», ou com “uma sofreguidão pelintra», sardinha, cebola e pimenta limpando a boca com um elixir de limão e genebra, uma bebida tantas vezes referenciada por Camilo.

Mas claro ía também para quem ainda conseguisse um caldo de legumes e tora com feijoca branca, sopa rústica, no sabor e na apresentação e, em seguindo-se «… frango com arroz, era preciso comê-lo logo, que estava feito».

O Menu Camiliano do restaurante Ferrugem segue a via do Turismo gastronómico-cultural que está na linha da diversidade regional e de um Turismo de Qualidade como Portugal necessita de apresentar se quer manter-se na linha da frente do Turismo global e dizê-mo-lo depois de termos andado pelas asiáticas ( chinesas) paragens comendo bem muito bem mesmo!

 

António Sousa

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