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IMPRESCINDÍVEIS PARÁGRAFOS DOUTRINÁRIOS

por Lopito Feijó

DOUTRINÁRIAS LÂMINAS DOUTRINÁRIAS, surge na sequência do nosso anterior título de livro. Imprescindível Doutrina Contra , já apresentado também em Portugal no Grémio Literário de Lisboa, há justamente um ano, e posteriormente na  cidade da Póvoa de Varzim por ocasião das Correntes D’Escritas.

É o primeiro livro de uma trilogia poética cujos seguintes -já escritos- intitulam-se: Mortíferos de Doutrinária Sapiência  Complexas Alucinações Doutrinárias. 

No primeiro volume, o que nos inspirou foi o passado recente da nossa Angola social, económica, cultural e politicamente em transição. Já no segundo, é o presente que vivemos o motivo fundamental da versificação e no terceiro e último volume reside o sonho e a imaginação do país que todos nós positivamente auguramos.

  O livro ora apresentado representa-me, enquanto proposta de reflexão poeticamente acusatória, como que  procurando alguém cuja carapuça lhe poderá servir.

Como o anterior, este não é um livro político. É um livro poético, razão pela qual, proponho-me insistente, hiperbólico e, consequentemente , delituoso.

Não estranharei portanto, se em razão de uma qualquer e descabida acusação, vir a ser indiciado por crime de excessivo hermetismo, ou mesmo, por uma tentativa frustrada de um tal de experimentalismo artístico, ou ainda… de um outro superficial mas provocador e, supostamente ultrapassado, concretismo poético.

  Na esteira de do meu grande amigo -o poeta- José Alberto Marques, direi que sou devoto de uma linguagem para–excessiva (com alguma interpenetração idiomática) sem  controlo académico e com nenhuma preocupação erudita.

Escrevendo, sonhamos ser cada vez mais HOMEM PLURAL. Espelho de reflexão e estudo. Sempre correndo o risco de ficar, futuramente, sem sistema ou sem rede.

Trabalhando a palavra poética, pensamos, lemos e escrevemos 25 sobre as 24 horas diárias, assumindo-se inexperiente profissional.  Estamos sempre predispostos a reescrever,  riscando e sempre   correndo o risco de arriscar mas, jamais descorando o legado do poeta Rui Duarte de Carvalho, em razão dos acentos nos tempos e, igualmente, em razão da urgência de sinais que comandam a emoção, abandonado que está, o timbre do momento e da paixão (de que falava Rilke) pois, antes de tudo: HUMILDADE é a regra primeira.

  Ao fim de quase quatro décadas publicando poesia, pensamos ser, sobretudo, um aprendiz de poeta ou um escritor que se arrepende e se emenda quotidianamente. Simplesmente, um leitor ou consumidor de poesia e de poéticas.

Um leitor daqueles que anda consigo mesmo ao colo, sempre sem medo de famosos  fantasmas… em razão do literário colesterol que ainda, infelizmente, graça entre a raça dos que somos (…todos meros aprendizes de poetas, é claro! ).

  Toda a artística escrita é uma longa, duradoira e misteriosa doença transmissível.

Sofremos com ela. Médicos de um lado e pacientes de outro. Sofremos todos. Escritores e leitores. Sofremos.

Sofrem as estantes, com ou sem livros, os escaparetes das livrarias que ratamos e os circunstantes   instantes divinos. Sofrem até os nossos ancestrais. As pessoas que nos rodeiam. Os nossos entes queridos e mesmo aqueles que detestamos. Sofrem também. Sofrem muito,  até os que nos apartam, tachando e achando-nos loucos.

O que mais importa é o aumento da dose medicamentosa ou, se quisermos também, o aumento do tamanho dos pacotes, caixas ou frascos dos medicamentos que suportam, melhoram e elevam a nossa consciência artístico-literária.

  O segredo reside, na esteira de Eugénio de Andrade, em deixar que a palavra amadureça…  se desprenda e caia, como um fruto maduro, assim que passa o vento que ela merece.

-Finalmente… tentamos ser cada vez mais originais porque , como dizia o poeta José Régio, ser original é simplesmente ser verdadeiro consigo mesmo.

  É justamente isso vimos tentando ser. Cada dia mais verdadeiro, fazendo de cada livro um outro livro. Com uma outra e nova proposta. Com uma nova e outra mensagem -querendo ser -na medida do possível- cada vez mais original, debulhando e reinventando o trigo, o milho, o massango e a massambala, utilizando a nossa língua portuguesa sem nunca descorar as nossas línguas africanas!

 

J.A.S. Lopito Feijóo K.

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