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Uma visão sobre o Governo PS

por Daniel Adrião

Governar a pensar nas próximas gerações

Com o debate sobre o próximo Orçamento de Estado, entramos na recta final da actual legislatura.
O PS com o apoio dos seus parceiros da “soi disant” Geringonça, focou a sua governação essencialmente no objectivo de repor os mínimos de dignidade social, que tinham sido destruídos pelo anterior governo de direita.

A política prosseguida pelo governo do PS foi importante para permitir que o país voltasse a respirar, depois de anos de asfixia social e financeira. A governação do PS é a prova de que havia alternativa à receita austeritária que nos tinha sido imposta pela troika de credores e que era possível compatibilizar uma política de rigor nas contas públicas e respeito pelos compromissos internacionais com o aumento da despesa social e o crescimento da economia.

Sucede, que volvidos os primeiros três anos de governo, em que o PS se viu obrigado “a correr atrás do prejuízo”, é agora hora de virar a página. O PS deve por isso proceder a uma mudança de rumo para o último ano da legislatura e marcar a agenda política com um conjunto de iniciativas de alcance estratégico, que rompa com a lógica de “navegação à vista” e com o círculo vicioso conjuntural, lançando as bases para um novo paradigma de desenvolvimento para a próxima geração.

O governo do PS tem de ter uma agenda progressista e humanista, com metas estratégicas e bandeiras para o país. Foi assim com os anteriores governos do Partido Socialista que deixaram no país importantes “marcas”. Com Mário Soares foi a adesão europeia e o Serviço Nacional de Saúde. Com António Guterres foi aposta na rede de pré-escolar e o Rendimento Mínimo Garantido. Com Sócrates foi o Plano Tecnológico e as energias renováveis. E com António Costa foi a reposição de rendimentos e a recuperação económica conjuntural, mas a partir daqui é preciso ir mais além. É necessário um novo desígnio para mobilizar os portugueses.

O país precisa de apostar na mudança do seu paradigma de desenvolvimento, fazendo a transição de uma economia baseada na mão-de-obra intensiva e nos baixos salários, para uma economia baseada no conhecimento intensivo e nos recursos humanos altamente qualificados e justamente remunerados, que permita transformar a nossa economia numa economia de alto valor-acrescentado. Não podemos continuar a competir com base em preços baixos e baixos salários. Não podemos ser uma espécie de China da Europa.

Precisamos de um novo paradigma de desenvolvimento. O grande “driver” deve ser a inovação. Inovação económica, mas também inovação na Educação. Para mudar o paradigma económico é necessário mudar o paradigma educativo.

O actual modelo educativo foi pensado em função das necessidades da revolução industrial. É um modelo massificado, mecanicista, baseado na memorização e repetição, completamente desajustado das exigências do mundo global em constante mutação. Precisamos de mudar o paradigma de ensino/aprendizagem, focando-o na aquisição das competências do século XXI, designadamente, a criatividade, o pensamento crítico, o trabalho colaborativo, a capacidade de resolução de problemas, a capacidade de trabalhar com base em projetos.

Precisamos de uma Escola que permita aos alunos não apenas adquirir competências cognitivas básicas mas também competências socio-emocionais, as chamadas “soft skills”. E precisamos de uma Escola que utilize as ferramentas do século XXI e que não continue agarrada a ferramentas que têm séculos, como por exemplo, o livro impresso. Precisamos de fazer a transição para a desmaterialização e para os recursos educativos digitais.

Em suma, precisamos de construir um país de valor-acrescentado. Esse deve ser o grande desígnio do governo do PS, cujas bases devem ser definidas e lançadas ainda na actual legislatura e em grande medida concretizadas na próxima legislatura.

Como disse John Kennedy, o presidente americano que colocou o primeiro homem na Lua: É preciso governar não a pensar nas próximas eleições, mas a pensar nas próximas gerações.

Daniel Adrião

 

Foto de destaque: Antonio Marín Segovia on VisualHunt / CC BY-NC-ND

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