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O possível machismo impotente

por Nardia M

Não ha Lei para a Mulher, há pedaços de papel interpretado por possíveis machistas impotentes, é a nossa sincera opinião!

Em tempo de liberdade, o sexo é, se livremente assumido, ato de uma ou mais pessoas resultante de opção íntima de satisfação obtida na libertação de tensoes gerada pela vida  mas sobretudo é também ato de entrega de encontro entre afetos de vária ordem, não sendo aceitável para nós qualquer tipo de limitação desde que consentida. 

Mas em Portugal não é assim, desde pelo menos a imposição no poder dos possíveis  machistas impotentes que eram os da inquisição, já que desde então se teima no absurdo, por consequência do poder do homem que tudo pode sobre a mulher, consinta ela ou não, tendo-se chegado ao horror ( ainda praticado por cá da mutilação genital feminina).

É na continuidade desta visão de possível machista impotente que se tem de entender a decisão de um dito Conselho Superior da magistratura que assume que não haverá sequer inquérito às considerações dos juízes do Tribunal da Relação do Porto sobre o acórdão de junho, em relação ao caso de uma jovem de 26 anos violada enquanto estava inconsciente, numa discoteca em Gaia.

“A ilícitude não é elevada” pois portanto pode haver grau no abuso de um corpo humano inanimado isto é incapaz até de consentir ou não consentir !

Esta frase acima é no contexto, a prova maior do possível machismo impotente dos juizes envolvidos na leitura e decisão do ato e na leitura e decisão sobre a decisão pois o que se infere ou pode inferir é que a) a mulher não precisa de ter prazer no ato; b) aliás se não tiver melhor ainda; c) o corpo da mulher é para uso e abuso em qualquer circunstância; d) ainda bem que a mulher estava alcoolizada porque assim parte da responsabilidade é dela quem a manda alcoolizar; e) não cabe aos funcionários de um estabelecimento comercial o apoio a proteção dos clientes; f) é admissível que tais funcionários continuem a sê-lo e a poder usufruir ( desde que sem ilicitude elevada)dos corpos inanimados dos clientes ! 

Atreve-se  um vice-presidente do Conselho Superior de Magistratura (CSM) – órgão que fiscaliza e regula os juízes – “toma medidas apenas em dois casos: perante erros grosseiros e em face de linguagem manifestamente inadequada”, a dizer que neste contexto falar em ilicitude elevada não é manifestamente inadequado e um erro grosseiro para qualquer cristão !

O facto dos juizes envolvidos todos eles acharem que uma mulher inanimada teria gerado  “sedução mútua” e que “a culpa dos arguidos se situa na mediania” e a “ilicitude é baixa” é tão pecaminoso tão de impotente tão a exigir tratamento psicológico que brada aos céus só se desejando que não aconteça a filhos e filhas destes juizes o mesmo que sucedeu à jovem ! 

 É pois mesmo para envergonhar este possível machismo impotente que relato o vivido por mim em Londres no fim de ano de 1975/6 numa praça central da cidade onde fomos passar o fim de ano – chegados lá deparamo-nos com uma imensa multidão n garrafas de todo o tipo de bebidas alcoólicas e quase tantas n carrinha da polícia londrina 

Vindos de um Portugal saído do Fascismo e jovens radicais pensámos perante tanta exposição policial vai haver manif (!) e fomos ainda mais curiosos ver … nada disso as carrinhas serviam para carregar os que estavam inanimados de tanto beber para lhes dar supomos, um auxiliar à recuperação e para descansarem um pouco e constatamos para de seguida regressarem à Festa !

Não vimos abusos não vimos tratar-se mal abusar-se de nenhuma mulher … eram todos e todas machos e fêmeas e homossexuais normais não demos por impotentes ideológico emocionais ! 

 

Nardia M.

 

Foto de destaque: Adolfo Lujan on VisualHunt / CC BY-NC-ND

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