Home Nacional O Turismo não está a trazer distribuição da Riqueza?

O Turismo não está a trazer distribuição da Riqueza?

por Joffre Justino

Os trabalhadores da restauração irao ter finalmente aumentos salariais de 6,7% após o acordo entre a Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores da Hotelaria, Turismo e Restauração, a FESAHT e a associação patronal a AHRESP.

O acordo de revisão do contrato coletivo de trabalho (CCT) para a área da restauração e bebidas foi assinado na terça-feira e prevê ainda aumentos de 2% para as restantes matérias pecuniárias e segundo Francisco Figueiredo, dirigente da FESAHT, vão ser abrangidos pelo acordo mais de 200 mil trabalhadores, que vão receber o aumento com retroativos a janeiro conforme a Lusa

“Com esta revisão, e depois de ter assinado [acordos] com as associações patronais APHORT [Associação Portuguesa de Hotelaria Restauração e Turismo] e AIHSA [Associação dos Industriais Hoteleiros e Similares do Algarve], fica coberto todo o setor da restauração a nível nacional com contratação coletiva, designadamente restaurantes, cafés, pastelaria, confeitarias e similares”, afirmou o sindicalista o que pode ser considerado uma vitória face à gafe de Vieira da Silva que com o seu pacote laboral mantém os trabalhadores manietados por não cumprir o princípio da OIT de ver o trabalhador como a parte frágil do acordo .

Os salários dos trabalhadores do setor, onde estão incluídas as categorias profissionais de empregado de bar, balcão, mesa, ‘self-service’ e ‘snack’ bar, variarão entre os 610 euros e os 670 euros, a que são acrescentadas as diuturnidades por antiguidade o que mostra como a desigualdade está em crescendo face à UE o que mais uma vez Vieira da Silva ignora

Francisco Figueiredo disse ainda que a FESAHT pretende iniciar novas negociações em setembro com a AHRESP, com o objetivo de rever todo o clausulado do CCT, que é de 2012, no sentido de criar melhores condições de trabalho, para fixar os trabalhadores no setor.

Entretanto, a federação sindical vai prosseguir as negociações com a AHRESP – Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal para o setor do alojamento e cantinas.

Mas entretanto há que recordar que “Numa ronda pelas principais cidades dos distritos da região Norte concluímos que a grande maioria dos patrões das empresas do setor da hotelaria e restauração não está a cumprir a nova tabela salarial que entrou em junho, mas tem efeitos a abril”, segundo disse Francisco Figueiredo, presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Hotelaria e Similares do Norte,

Trabalhadores da hotelaria e turismo denunciam “clima de impunidade no setor”
O sindicato já denunciou a situação à Autoridade para as Condições do Trabalho, e exigiu “uma intervenção geral no setor, porque estes trabalhadores trabalham sem proteção e se não for a inspeção de trabalho a atuar de forma sancionatória e não autorreguladora, os problemas não se resolvem”. A nova tabela salarial “representa para estes trabalhadores, que estiverem sete anos sem aumentos salariais, um aumento de cerca de 8,8%, portanto, um aumento significativo”, explicou o sindicalista, citado pela agência Lusa.
Nos distritos como Braga, Viana do Castelo, Vila Real ou Bragança, “praticamente ninguém cumpre a tabela salarial mesmo no setor do alojamento”, denunciou Francisco Figueiredo e na cidade do Porto se “há, de facto, um grande número de hotéis que cumpre, talvez até a maioria cumpra a nova tabela salarial, mas já em relação à restauração, a maioria dos cafés, restaurantes e pastelarias da cidade também não cumpre”, pondo o dedo na ferida

Mais ainda o sindicato constatou ainda que na generalidade das empresas “a regra dos dois dias de descanso semanal não é respeitada, o trabalho em dia feriado não é pago e o regime de carreiras das diuturnidades também não é respeitado”.

Hotelaria não atualiza salários desde 201. E segundo o sindicato s dificuldade de contratação de novos trabalhadores no setor da restauração e hotelaria tem explicação com “os horários imprevisíveis e infindáveis, os ritmos de trabalho intensos, a precariedade dos vínculos laborais, o trabalho ilegal e clandestino, o trabalho não declarado e os baixos salários praticados” tudo o que a ACT com os seus olhos fechados permite que aconteça

“Estas condições violentas de trabalho provocam uma grande desmotivação e situações graves na saúde, como o stresse, depressão, ansiedade, dependência medicamentosa, cansaço, fadiga e o desmoronamento do ambiente familiar, sendo estas as verdadeiras razões que levam os trabalhadores a abandonarem o setor e a não quererem voltar”, concluiu o dirigente sindical Francisco Figueiredo.

 

Nardia M.

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