Home Brasil “O português nem pisava na África. Que dívida é essa?”

“O português nem pisava na África. Que dívida é essa?”

por Silvio Reis

Para o pré-candidato Jair Bolsonaro, Trump está fazendo um ótimo governo. Independente dessa admiração pelo ditador norte-americano, o jornal suíço Tribune de Genève, na edição de domingo, 29, posicionou o presidenciável como o Trump brasileiro”, na editoria internacional “Monde” . Bolsonaro usou o twitter para se defender, mas se confundiu de jornal. Criticou o francês Le Monde de “baixo nível.”

Ex-militar, evangélico e deputado há 27 anos, Jair Bolsonaro disputa a eleição pelo Partido Social Liberal. Segundo pré-candidato mais pontuado nas pesquisas de intenção de votos, atrás de Lula, o PSL terá apenas 8 segundos de campanha na TV. Por isso mesmo, ele poderia ter aproveitado melhor a entrevista no Roda Viva da TV Cultura (30.09), que a cada semana entrevista um pré-candidato. com exceção de Lula, proibido de dar entrevistas.

Ao assumir posições como defensor do golpe militar, racista, homofóbico, moralista e ultradireitista, Bolsonaro disse na TV que ser um presidente liberal. O patinho feio da política, como ele se classifica, ficou mais feio ainda. Só falou besteira diante de jornalistas. Atribuiu a Trump a diminuição da carga tributária nos EUA e o aumento de emprego. Sobre Nelson Mandela: “Tem que ver o passado dele. Não é isso o que foi pintado”.

Em relação à dívida histórica com os negros no Brasil, a resposta demonstrou ignorância: “Eu nunca escravizei ninguém. Os portugueses nunca pisaram na África. Os negros eram entregues pelos próprios negros. Que dívida é essa?” Em nome da meritocracia, se for eleito presidente vai reduzir a cota racial de inserção de negros em universidades.

Atualmente, a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) levou o Ministério Público Federal em São Paulo a reabrir as investigações sobre o assassinato do jornalista Vladimir Herzog, durante a ditadura militar. Para Bolsonaro, “Naquele momento, o mundo vivia um momento complexo, o tal da Guerra Fria. Alguns foram torturados mesmo. Mas essa história não está bem contada. Se tivéssemos perdido, nos teríamos tornado uma grande Cuba”.

O evangélico reforçou no programa a admiração pelo Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, acusado de tortura nos tempos da ditadura militar. Sem falar em plano de governo, atacou a esquerda: “Eu quero pegar os papeis do BNDES. Ver onde Dilma e Lula emprestaram dinheiro”. Defendeu banqueiros e políticos dentro da lei. “Não é porque andei com corruptos que sou corrupto”, justificou.

A campanha de Bolsonaro é contra a corrupção na política e em defesa de valores tradicionais, como a família. Para enfrentar e diminuir a violência no país, o deputado defende a liberação do porte de armas.

Silvio Reis, jornalista brasileiro

 

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