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SALA DO RISCO

por Mario Carvalho

A rua da Ribeira das Naus em Lisboa, entre a Praça do Comércio e o Cais do Sodré, é uma rua mágica e cheia de história que nos transporta à época dos Descobrimentos. É uma rua que já vem do tempo de D. Manuel I (1469 – 1521 ) e data de 1501. A rua passa a avenida Ribeira das Naus já no Sec.XX, quando é alargada em 1948.

Foi nesta rua que D.José I ( 1714 – 1777 ) mandou construir o Teatro da Opera,também conhecida por Casa da Opera ou Teatro Real da Ribeira e que foi inaugurado em 1753. Durou apenas dois anos, pois como se sabe, o terramoto de 1755 arrasou completamente esse teatro de Bel Canto.

Foi precisamente nesse local, onde hoje existe o Arsenal da Marinha e a Escola Naval que o capitão-engenheiro do reino e arquiteto do Senado de Lisboa,Eugénio dos Santos e Carvalho vai edificar a célebre Sala do Risco na cidade e que vai servir e muito a reconstrução de Lisboa.

Poderíamos quase considerar a Sala do Risco como a primeira escola de arquitetura portuguesa. Para além de Eugénio dos Santos e Carvalho,também por lá passou o velho brigadeiro do reino e um dos responsáveis pela construção do Aqueduto das Águas Livres de Lisboa, Manuel da Maia.

Com a morte de Eugénio dos Santos e Carvalho ( 1711 – 1760 ) em Agosto de 1760, é o Húngaro Carlos Mardel (1695 . 1763 ) que vai ficar á frente da Sala do Risco até á sua morte. A  Sala do Risco só vai ficar pronta já com outros protagonistas em finais do  Sec.XVIII. no ano de 1796 e em 1916 vai desaparecer para sempre consumida pelo fogo.

Esta rua é também mágica porque me recorda um poema do grande Cesário Verde:

“O sentimento dum Ocidental” que aqui transcrevo três  estrofes:

Voltam os calafates, aos magotes,

De jaquetão ao ombro,enfarruscados,secos,

Embrenho-me,a cismar,por boqueirões,por becos,

Ou erro pelos cais a que se atracam botes.

 

Vazam-se os arsenais e as oficinas;

Reluz,viscoso,o rio,apressam-se as obreiras;

E num cardume negro,hercúleas,galhofeiras,

Correndo com firmeza,assomam as varinas.

 

Vêm sacudindo as ancas opulentas!

Seus troncos varonis recordam-me pilastras;

E algumas,à cabeça,embalam nas canastras

Os filhos que depois naufragam nas tormentas.

 

Mário de Carvalho

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