Home Brasil “O amor é tão longe”. A violência tão perto

“O amor é tão longe”. A violência tão perto

por Silvio Reis

A Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil realizou a 2ª Conferência Internacional da Diversidade em São Paulo, entre 22 e 26.04, e divulgou que 52% dos homicídios contra LGBT no mundo ocorrem no Brasil, onde a cada 19 horas uma pessoa GLBT é assassinada ou se suicida. Com 445 registros de mortes em 2017, houve aumento de 30% em relação ao ano anterior.
Esta violência diária e cultural é um dos motivos de imigrações ilegais.

Recentemente, a Revista Literatura e Conexão entrevistou o português Francisco J.S.A. Luís, mestre em Direito Administrativo e Administração Pública, e autor do livro Travestis Brasileiras em Portugal. A publicação é resultado de 8 anos de pesquisa e trabalho de campo para conclusão de uma tese de doutorado em Antropologia Social e Cultural.

Entre as diversas declarações (interessantes) na entrevista, merece destaque estes trechos: “As travestis brasileiras se constituem como um marco da riqueza cultural brasileira e que em nenhuma outra parte do globo existe uma figura retórica que lhes corresponda. As transvestites anglo-saxónicas, as crossdressers ou mesmo as transexuais medicamente acompanhadas enquadram-se numa taxonomia distinta. As travestis brasileiras adquirem esse caráter de unicidade pelo facto de a sua identidade comunitária se construir. (…) Apenas as travestis brasileiras colocam silicone industrial entre a carne e a pele, arriscando as suas vidas. Em mais nenhum local do mundo, existem as bombadeiras e cafetinas conforme aquelas que operam Brasil.”

A contribuição desse livro resgata a contribuição musical do poeta e cantor Pedro Abrunhosa, que compôs Balada de Gisberta para registrar a intolerância e violência homofóbica. Imigrante ilegal em Portugal, a brasileira Gisberta (Gilberto Salce Júnior) foi morta aos 45 anos, em fevereiro de 2006. Na cidade do Porto, 14 adolescentes a torturaram por dois dias, amarraram o corpo a um pedaço de madeira e o jogaram num fosso de água de 15 metros. A Justiça local considerou o afogamento a causa da morte

“Eu não ouço o meu grito na treva / O fim quer me buscar.” Balada de Gisberta foi gravada por Maria Bethânia e outros intérpretes: “Trouxe pouco / Levo menos / A distância até ao fundo é tão pequena”. Em 2017, ganhou versão teatral no Brasil. “O amor é tão longe”.

 

Silvio Reis, jornalista brasileiro

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