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Um Obrigado a Birgit Mahnkopf!

por Joffre Justino

No Social Europe surge um texto de Birgit Mahnkopf, professora aposentada de Política Europeia na Berlin School of Economics and Law e que publica bastante material  sobre aspectos sociais e ecológicos da globalização e da  política europeia, entre eles,este, sobre o qual refletiremos brevemente neste texto, o  The (False) Promises Of Digitalization a merecer estudo muito atento diga-se.

Segundo ela,

“Estamos cercados por entusiastas que anunciam um maravilhoso novo mundo de “fábricas inteligentes”. Entre eles estão representantes do governo, associações empresariais e de empregadores, CEOs de grandes corporações, mas também acadêmicos e até sindicalistas.
Todos tentam nos convencer de que, num futuro próximo, a digitalização do setor manufatureiro e até mesmo da economia em geral irá:

  • Em primeiro lugar, aumentar a eficiência e a flexibilidade em todo o processo de fabricação;
  • Em segundo lugar, alterar a cadeia de valor na medida em que a especificação do cliente possa ser incorporada em todos os estágios do processo de produção, juntamente com os serviços relacionados;
  • Em terceiro lugar, oferecer métodos de produção extra às PME;
  • Em quarto lugar, criar oportunidades de emprego novas e mais qualificadas. No final, todos esses desenvolvimentos ajudarão a estimular uma nova onda de consumo de massa que impulsionará o crescimento económico, mas também o desenvolvimento sustentável.”

Ora estas promessas são vistas muito criticamente pela autora pois “a Indústria 4.0 ainda é um conceito do que poderia ser e não do que é.”, tema que só por si levanta a séria duvida do papel da manipulação dos media e dos “fazedores de opinião”, sobre todos nós…manipulação que hoje vivemos por via até de publicidade entusiástica em volta desta economia 4.0 vista no vazio do academismo bacoco, fora do real.

Segundo a autora existem  três tipos de desafios que,

“ devem chamar nossa atenção: em primeiro lugar, os tecnológicos; em segundo lugar, as conseqüências sociais de uma substituição adicional do trabalho humano por máquinas e algoritmos; e, em terceiro lugar, as implicações ecológicas (e geopolíticas) dos sistemas de produção digital.”,

Nada será assim, nada será vivido em céu radioso e sem crises pois,

 “As redes de fibra óptica são comumente consideradas como o futuro das redes, pois permitem velocidades de transmissão significativamente mais altas do que suas contrapartes baseadas em cobre… Uma segunda precondição tecnológica para “fábricas inteligentes” até agora permanece ausente: uma interface padronizada de programação de aplicativos (API), linguagem comum de dados e crescente integração de sistemas amplamente auto-suficientes das áreas de produção, logística, fornecimento de energia ou gerenciamento predial. Por fim, a transição das empresas para o cenário digital as expõe aos perigos dos ataques cibernéticos de indivíduos, dentro ou fora da empresa, por computadores, redes sociais, pela nuvem, organizações nefastas e governos.”,

os mais que famosos hackers, os espiões eletrónicos os putos inteligentes que brincam no computador etc, todos eles a terem nas mãos, as organizações culturalmente pouco preparadas para essas novas auto estradas dos negócios e da informação e sua gestão, gerando enfim, uma potencial e dramática crise organizacional planetária.

E a autora não esconde o que consideramos essencial neste processo que até o Cristiano Ronaldo incentiva com a robot (Sofia) que ele namorisca nas publicidades de uma das redes eletrónicas pois,

 “ surge a questão de saber se também podemos receber de bom grado as implicações econômicas e sociais de uma maior digitalização sobre o trabalho e os trabalhadores e, finalmente, sobre a sociedade.”

Assim,

“Os proponentes da Indústria 4.0 estão prometendo que os processos de rotina e as atividades fisicamente extenuantes serão automatizadas… os seres humanos estão se tornando supervisores de máquinas, em vez de produtores ativos. Ao mesmo tempo, as empresas reduzirão sua força de trabalho permanente e, em vez disso, contratarão sob demanda. Todo o trabalho de rotina, mas especialmente os serviços digitais, estará sujeito a escoramentos e maior pressão de eficiência, enquanto atividades envolvendo interação humana direta serão mais valorizadas. Os serviços digitais, portanto, serão divididos em partes cada vez menores e delegados a “trabalhadores virtuais”, enquanto o trabalho na nuvem e na multidão floresce.”

Desta forma para a autora,

” os ganhos de “trabalhadores clicáveis” são frequentemente mais baixos e irregulares, enquanto os trabalhadores são invisíveis e isolados e a rotulagem falsa como “trabalho independente” visa evitar benefícios sociais, pagamento de impostos e respeito às leis trabalhistas.”,

enfim na verdade o regresso aos tempos da revolução industrial do trabalho realmente escravo, infantil, degradado até ética e socialmente desuqalificado.

E pior ainda,

“o caráter transnacional do trabalho coletivo dificulta a localização e o uso da jurisdição nacional responsável pela regulamentação do tempo de trabalho, salários e provisões de seguridade social. Além disso, com mais digitalização, qualquer divisão entre trabalho e vida privada está desaparecendo; isso aumentará novos fatores de estresse, particularmente para as mulheres.”

Como temos já bem presente neste nosso país onde ainda por cima o bloqueamento da negociação coletiva de trabalho terá tirado da proteção dos contratos coletivos de trabalho cerca de 4 milhões de trabalhadores portugueses e residentes, imaginem o que aí vem de “modernidade”(!) para a generalidade das Pessoas.

Eis porque a autora acentua que,

 “ a irregularidade, a flexibilidade, a incerteza, a imprevisibilidade e os diferentes tipos de “risco” serão a “nova normalidade” de trabalhar em uma era vindoura de capitalismo digital. Os trabalhadores serão controlados por aplicativos e algoritmos – o equivalente à linha de montagem antiga, mas muito mais difícil de ser interrompido.”

… E assim adeus Direitos, viva a sociedade dos deveres !

No entanto,

“ …  se os robôs substituirem os trabalhadores na escala prevista por instituições internacionais e inúmeros think tanks, criando assim um desemprego ainda maior, e se os salários estão ainda mais deprimidos porque apenas os trabalhadores altamente qualificados Podem esperar receber um salário decente, duas questões surgem: primeiro, a quem os produtores venderiam todos os seus “produtos inteligentes” e, segundo, os insumos materiais de produção poderiam realmente ficar baratos se todas as economias avançadas seguissem a mesma rota em direção à indústria 4.0. ? “,

tema que afetará toda a estrutura produtiva, até a economia familiar onde a/o parceiro tenderá a ser na quase totalidade substituído pelo humilde e dócil robot até no plano sexual!

Mais ainda,

“Mesmo que os custos de transição para a Indústria 4.0 sejam considerados administráveis ​​pela maioria das empresas manufatureiras e mesmo se o impacto sobre os trabalhadores continuar sendo ignorado pelos governos e sindicatos: ninguém pode ignorar as restrições aos insumos da empresa.

O futuro da Indústria 4.0 dependerá de como os preços do petróleo e dos metais críticos se comportarão quando as economias em todo o mundo passarem para: em primeiro lugar, a produção de energia renovável; em segundo lugar, mobilidade elétrica; em terceiro lugar, a produção digital – e, em quarto lugar, os consumidores continuam comprando todos os tipos de dispositivos móveis (como smartphones e tablets), enquanto os governos prosseguem com seus gastos em sistemas militares modernos (incluindo drones autônomos). Todas essas indústrias e tecnologias dependem do petróleo, mas também dos mesmos “metais críticos” – como cobre, níquel, prata, urânio, chumbo e, em particular, metais de terras raras, como índio, gálio, germânio, lítio e muitos outras. Várias tecnologias de TI essenciais para o setor 4.0, como sensores, microchips de alto desempenho, tecnologias de exibição, cabos de fibra ótica, exigem uma quantidade enorme desses minerais.”,

razão que leva ao genocídio vivido e escondido na Republica Democrática do Congo por exemplo onde tudo vale para controlar esses “novos minerais” com já vários milhões de mortos e outros tantos deslocados que os media e não por acaso escondem há anos.

E de novo a nossa relação com a Mãe Natureza,  pois estão escondidos nos discursos de elevado otimismo face à economia 4.0,  “…os limites ao crescimento os níveis de poluição no capitalismo são postos de lado – provavelmente até que o “ponto sem retorno” seja alcançado e a economia colapse junto com os sistemas ecológico e social.

Mas mesmo antes de qualquer colapso, os limites ao crescimento económico resultantes de restrições de recursos podem prejudicar o funcionamento da acumulação de capital – e, como ao longo da história, isso vai junto com as tensões geopolíticas e, finalmente, com conflitos e guerras.

Joffre Justino

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